Verão esconde uma série de riscos à saúde que não podem ser ignorados
Postada em: 04/02/2012
Fonte: CORREIO BRASILIENSE – DF 03/01/2012

O verão é tempo de sol, calor, pouca roupa e muito suor. Mesmo com todas as promessas de prazer, é uma época também propícia a inconvenientes. No clima descontraído das férias, fica fácil esquecer pequenos cuidados de saúde. Além do repetidamente recomendado uso obrigatório do filtro solar, especialistas falam ao Correio sobre outras providências igualmente importantes para garantir que a viagem não tenha turbulências. O culto à pele bronzeada, símbolo da estação mais quente do ano, por exemplo, é um convite ao exagero. “No verão, a pitiríase alba é muito comum, principalmente em crianças e adolescentes”, comenta o dermatologista Erasmo Tokarski, referindo-se às manchas brancas que surgem no rosto por falta de filtro solar. Além de manchas, micoses costumam atazanar banhistas distraídos. Tokarski explica que o uso prolongado de roupas de banho molhadas é o principal responsável pelo inconveniente. “O fungo gosta de locais úmidos e quentes, por isso, a micose costuma aparecer na virilha”, completa o médico. Segundo ele, os homens são os que mais passam pelo problema. “Pode dar em todo mundo, mas acho que os homens são mais desleixados com isso”, arrisca. Desfilar com chinelos molhados também não é uma boa ideia: frieiras, pano branco (manchas brancas no tronco) e bicho geográfico podem aparecer. Se não tratadas, as micoses aumentam, se espalham e podem até tornar-se contagiosas. “Se for entre os dedos, pode evoluir para erisipela (infecção bacteriana que atinge a derme profunda e o tecido gorduroso), infecção na perna e fungos nas unhas.” A boa notícia é que tanto as frieiras quanto a micose têm fácil tratamento. Arriscar soluções caseiras para amenizar a coceira, contudo, não é indicado, uma vez que podem aumentar a proliferação dos fungos. “Se a pessoa estiver com o bicho geográfico, pode colocar gelo e esperar a área congelar por alguns minutos, para o micróbio morrer”, ensina Tokarski. “Para todos os outros casos, é importante ir ao médico para que o profissional indique o melhor antifúngico.” Bebidas com frutas cítricas, como a caipirinha ou o suco de laranja, também podem ocasionar manchas na pele. Quando em contato com o sol, explica o médico, os resíduos que podem ter ficado na boca ou em algum outro local da pele após a ingestão desses ingredientes reagem com a luz solar — e resultam em manchas escuras, tratáveis com pomadas à base de hidrocortizona (anti-inflamatório derivado do hormônio cortisol, usado no tratamento de alergias). “Atletas” de verão Além do bronzeado, uma grande preocupação de quem vai para a praia ou piscina é poder passear sem se preocupar em esconder os quilos a mais. O problema é que muitos deixam para se ocupar dos exercícios físicos somente no verão — e acabam trocando qualquer possibilidade de ter um corpo mais sarado por lesões e machucados. De acordo com uma compilação de 14 estudos publicados em agosto deste ano no Journal of American Medical Association (Jama), quem pratica atividade física esporadicamente tem 2,7 vezes mais chances de ter problemas cardíacos. “Indivíduos com mais de 40 anos e com colesterol alto ou diabetes correm mais riscos”, completa o educador físico Pedro Aguiar. O afã de exibir um corpo em forma pode, também, ter consequências sérias. Pedro diz que o uso de esteroides e anabolizantes cresce bastante durante o fim de ano, uma vez que as substâncias permitem que os usuários tenham resultados muito mais rápidos do que se estivessem apenas treinando na academia. “A pessoa pode perder de dois a três quilos de massa magra em dois meses. Na academia, demoraria pelo menos um ano”, compara. O educador físico explica que, como grande parte dos anabolizantes têm cafeína e outros elementos estimulantes na composição, as drogas agem diretamente no sistema nervoso central — o que eleva a estimulação do sistema cardíaco e do metabolismo, aumenta o músculo cardíaco e pode levar ao infarto até mesmo o mais jovem dos “atletas”. Lesões e machucados também entram na lista de desvantagens dos atletas de fim de semana. “A falta de aquecimento pode fazer com que a pessoa torça ou rompa ligamentos”, exemplifica Pedro. Foi o que aconteceu com Fábio Hissao Harala, 23 anos. Na agenda semanal do estudante, os sábados eram reservados para as partidas de futebol com os amigos, sem grandes preocupações. “Eu só ia, jogava e voltava para casa, nem me aquecia”, conta. Um passe de bola mal calculado, contudo, rendeu a Fábio o rompimento dos ligamentos cruzados da parte posterior do joelho esquerdo. Algumas ressonâncias e exames de raios X depois, Fábio foi informado pelos médicos de que não pode mais jogar bola. “Precisarei fazer uma cirurgia e ficar de repouso seis meses”, detalha. “Jogo bola de teimoso, mas pretendo entrar na academia ano que vem.”

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